Em que consiste a traição de Judas?

(De Claudio Simeoni, traduzido por Dante Lioi Filho)

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-* EM QUE CONSISTE A TRAIÇÃO DE JUDAS? UM PRINCÍPIO SOCIAL QUE DEVE GUIAR OS HOMENS: DEVE-SE SER FIEL A UMA IDEIA, A UM PRINCÍPIO SOCIAL, AOS SEUS PRÓPRIOS PROJETOS, OU DEVE-SE SER FIEL AO CHEFE DE UM BANDO DE CRIMINOSOS?

A pergunta me surgiu quase que de improviso, e decidi verificar em que consistia a traição de Judas, pela qual os cristãos amaldiçoaram esse nome por todos os séculos em que têm participado do Comando Social.

Vejamos o que consta dos evangelhos oficiais sobre a traição de Judas.

Disse Mateus:

"Então, um dos doze chamado Judas Escariotes, dirigiu-se aos grandes sacerdotes e disse-lhes: O que estão dispostos a me dar se eu o entregar a vocês?" Eles determinaram que seriam trinta moedas de prata. E daquele momento ele procurava uma ocasião propícia para entregá-lo nas mãos deles."

 Mateus 26, 14 – 16

Prossegue Mateus:

" Enquanto ele ainda falava, eis Judas, um dos doze, chegar, e com ele uma quadrilha de gente armada de espada e de bastões, enviados pelos gran Sacerdotes e dos Anciães do povo. Aquele que o traia, tinha dado a eles este sinal: "Aquele a quem eu beijar, é ele: prendam-no!" E de súbito, aproximando-se de Jesus, disse-lhe: "Salve Mestre!" E o beijou. Jesus lhe disse: "Amigo com que escopo esta aqui? " Então, aproximaram-se e puseram as mãos sobre Jesus, capturando-o"

Mateus 26, 47 – 50

A mesma descrição temos em Marcos! Lucas exprime a necessidade de explicar a traição de Judas, e disse:

"Se aproximava a festa dos Pães Ázimos, chamada Páscoa: nesse meio tempo, os gran Sacerdotes e Escribas o cercavam de modo a matar Jesus, mas temiam o povo.

Nesse momento Satã entrou em Judas, chamado Escariotes, um dos doze, e ele foi negociar com os gran Sacerdotes e chefes da Guarda, de modo a entregá-lo nas mãos deles. Eles ficaram felizes e concordaram em dar-lhe a soma de dinheiro. Ele arriscou-se em procurar uma ocasião favorável, para obtê-la em suas mãos, às escondidas do povo."

Lucas 22, 1 – 6

O prosseguimento dessa captura de Jesus lido em Lucas, não é diferente dos outros contos, mesmo se enriquecida pela imaginação de Lucas, à imagem das divindades e dos semideuses pagãos.

Nesta análise deixamos de lado João, que tinha como preocupação não sobre a traição de Judas, mas de nos explicar o fato de Jesus ser onipotente, e que se ele quisesse, teria matado todos os que estavam armados. João nada mais faz senão atribuir a Jesus a mesma magia descrita em O Asno de Ouro, de Apuleio.

A pergunta, portanto, se resume nisto: Em que consiste a traição de Judas?

Se partirmos raciocinando de tudo o que nos contam os evangelhos, devemos aceitar, a priori, o fato de que Jesus efetivamente falasse e pregasse girando pela Palestina. Se depois desejamos considerar literalmente os evangelhos, devemos aceitar também o fato, segundo o qual, todos os dias Jesus falava no Templo.

Nada testemunha uma atividade clandestina. Nada nos faz supor que a mesma guarda encarregada em proteger o Templo, nunca tenha visto e ouvido Jesus falar.

Os evangelistas dizem que Judas indicou Jesus às guardas e aos gran Sacerdotes por meio de um beijo. Isto é desconcertante, porque se Jesus era assim tão conhecido, ao ponto de a sua prisão poder provocar uma rebelião popular, que necessidade tinham os gran Sacerdotes de pagarem trinta moedas de prata por uma informação que podiam ter de qualquer outro modo? 

Pagar por uma informação desse tipo, faria sentido somente se Jesus fosse totalmente desconhecido. Somente se Jesus fosse um Deus ex maquina, isto é um Deus surgido da máquina (como no teatro grego), o homem que secretamente age nos bastidores. Seria traição de Judas somente se os gran Sacerdotes não soubessem quem era Jesus. A ação de Judas poderia ser qualificada como uma traição somente se Jesus fosse um indivíduo secreto, que agisse às escondidas com os seus ensinamentos, e deste modo a conduta dele, de alguma forma, constituísse um perigo para qualquer um ou qualquer coisa. Mas, segundo os mesmos evangelhos, Jesus era um homem público, que não se escondia.

A invenção de Lucas não convence. As afirmações de que os gran Sacerdotes e os Anciães temiam o povo e a sua reação, surge como um parto fantástico; como que para dar corpo aos seus desejos de narrar convencendo.

Se Jesus era assim tão amado pelo povo, conforme Lucas gostaria que a sua narrativa fosse digna de crença indiscutível; a sua prisão, mesmo se a posteriori, não gera, segundo os evangelhos, nenhuma reação do povo ao seu favor, mas segundo esses mesmos evangelhos, muito pelo contrário, Jesus vem a ser recusado por esse povo. Uma recusa tão radical que quando ao povo é feita a pergunta: "A quem vocês desejam que eu solte: a Jesus ou a Barrabás?" O povo prefere Barrabás.

Além disso, nem Mateus nem Marcos, escrevem a respeito de ações populares que fossem a favor de Jesus, nem antes, nem durante, nem depois do processo, e da sua morte.

Lucas deve, de qualquer maneira, justificar inventando um motivo, a traição de Judas. Deve justificar não somente a necessidade dos gran Sacerdotes servirem-se de Judas sem uma razão suficiente, mas Lucas deve, também, explicar o motivo pelo qual um dos doze apóstolos (daqueles que reconhecem a divindade em Jesus, que seriam a prova de terem assistido todos os "milagres" de Jesus) comete a traição.

Para Lucas o motivo é porque Satã entrou em Judas. Ou seja, não é Judas quem age, mas sim Satã que age através de Judas. Mas, Satã, quando foram escritos os evangelhos, significa simplesmente adversário. A imagem de Satã com pés de cabra, e senhor dos infernos, é um sincretismo elaborado num época bem mais tarde, quando os cristãos para se confrontarem com os Pagãos, usam das divindades de Pan, Silvano, Fauno, Saturno e Plutão para descrever Gehenna aonde queima o fogo eterno. No entanto, o Satã descrito por Lucas não é aquele das imagens clássicas cristãs, mas é simplesmente o inimigo que pretende combater Jesus. Mas o inimigo é o próprio Judas. O próprio Judas, que cansado dos enganos de Jesus que se faz passar pelo filho do deus criador, decide sair fora do círculo do horror? 

Para concluirmos estas reflexões, nos encontramos diante de um esquema, um pouco extravagante, por assim dizer:

1) Temos um indivíduo acusado de traição sem haver um sujeito para ser traído (está claro que não comporta nem culpas e nem méritos).

2) A esse indivíduo se imputam culpas, que são independentes da sua vontade (porque afirma-se que Satã entrou nele).

3) Essa pessoa foi paga para tornar manifesto aquilo que já era manifesto.

4) Afirma-se que o seu papel na traição é importante para impedir uma reação popular, que nos fatos se revela inexistente, seja na existência quanto em potencial ( a realidade dessa reação popular surge somente nas fantasias de Lucas).

Vistos esses particulares da narrativa, está claro que não existiu, na realidade, nenhuma traição cometida por Judas, mas existe apenas e tão-somente o desejo dos apóstolos e dos evangelistas de esconderem e justificarem a sua impotência na doutrina.

Exatamente por isso, servem-se do episódio de Judas.

Se para Mateus o episódio de Judas é real, na realidade, o perigo que ele representa é constituído pelos membros da seita em si, que podem ser indicados como tais a outras seitas, como a seita dos Zelotas, que não pensam duas vezes em colocarem o punhal para trabalhar, com o objetivo de reafirmarem a lei de Moisés, porém deixa de ser real quando a imagem de Judas vem a ser usada pela igreja católica.

Para a igreja católica é conveniente que haja esse vazio na história com a inconsistência da traição, para levar em frente os seus fins de domínio e terror. O vazio, representado pela doutrina desenvolvida pelos quatro evangelistas, é de tal forma enorme que somente com a contínua ameaça militar está em condições de impedir que os Seres Humanos renunciem aos hábitos monásticos.

A igreja católica, então, passará a chamar de "Judas", levando ao fogo, cada Ser Humano que procurar Justiça, Liberdade e Saber, pois esse será um traidor no que se refere a esse vazio imposto pelo catolicismo.

Exatamente essa inconsistência sobre a traição de Judas, consente ao cristianismo uma justificação doutrinal, para perseguirem os povos.

Sabia que é ser muito mais traidor do que Judas aquele que fala em sair da pobreza, diante da igreja católica, e que acumula riqueza para poder sobreviver?

Sabia que é ser muito mais traidor do que Judas, o filósofo que encontra o divino ao seu redor, ao invés de colocar-se de joelhos diante dos deus dos católicos?

Sabia que é ser muito mais traidor do que Judas, quem pretende desenvolver o deus dentro dele (que é o próprio demônio); e dessa forma, ao invés de destruir esse divino pessoal interior deixa de honrar o louco de Nazaré?

E, exatamente pela não existência da traição de Judas, pela presença de uma acusação inconsistente, mas reconhecida como real pelo próprio Judas, que torna esse episódio um instrumento precioso nas mãos da igreja católica para perseguirem os Seres Humanos que não podem se defender.

Isto vale, também, pela operação de Lucas, que cerceia a vontade de determinação dos Seres Humanos para delegá-la à obra de Satã.

Como o povo ama Jesus, assim, para Lucas, os Seres Humanos amam a igreja católica; e somente Satã, quando baixa neles, leva-os à uma rebelião contra aquela que pertence aos criminosos que se opõem à vida, contra aquela que é chamada: "a santa madre igreja". Os cristãos têm medo daqueles Seres Humanos que mancam diante dessa grande mentira, para diante das contradições da vida caminharem normalmente e fundarem o seu futuro próprio, em direção à eternidade das transformações inevitáveis, exercitando a vontade própria.

E, não abrindo mão dessa grande mentira vergonhosa, assim declaram:

- Vamos considerar a traição de Judas um fato real. Não vamos esquecer que os fatos que se relacionam com a vida de Jesus são relativos a Onias, apedrejado em Jerusalém no ano 65 a.c. e que foi considerado o Mestre dos Essênios (mesmo se, segundo os estudiosos, levantam-se dúvidas, a certeza estará sempre em suspense). Judas trai Jesus com um beijo porque deve entregá-lo aos gran Sacerdotes, os chefes de uma associação criminosa rebelde, neste caso os Essênios, que faziam de tudo, menos de se mostrarem em público.

Assim, Jesus é indicado (nos evangelhos) como uma pessoa que realmente viveu para desenvolver um credo diferente ou atividade política, e era malvisto e combatido, seja pelos gran Sacerdotes quanto pelos Anciães.

Em Mateus, existe um episódio que nos permite entender algumas coisas e é sobre a matança de inocentes atribuída a Herodes. Na realidade, foi uma matança por ordem de Herodes para reprimir uma conspiração no palácio na qual tudo indica que: para que morressem, também, os seus filhos que participavam dela.

Os mortos foram algumas centenas, e posteriormente na imaginação vieram a tomar formas e consistências diferentes, segundo o partido a que cada um pertencia. É fácil compreender que naquela conspiração morressem, por indicação de outros, os chefes conspiradores que estavam ligados à doutrina dos Essênios. E dentro disso tudo, inclusive os Zelotas, os verdadeiros protagonistas dos cristãos, que vislumbraram naquela matança um motivo para abater o poder social e substituí-lo. Foram necessários cerca de dez anos para que os Romanos compreendessem que a revolta de Massada ou Masada (palácio construído por Herodes), tinha sido organizada por aquele que pensando no fim do mundo, almejava tornar-se o dominador dos Seres Humanos obrigando-os a se ajoelharem.

Os poucos trechos que são narrados sobre eles indicam o instinto para produzir a morte, que era a forma dos Zelotas se exprimirem, a necessidade desta pequena seita para sobreviver, protegendo-se de eventuais traições e conduzidos pela necessidade de se desenvolverem em diversas situações, e, assim, levados pela fantasia de onipotência, da qual os evangelistas eram portadores, produziram a teoria da morte da qual os evangelistas representam-na, como prólogo.

Diante dessa teoria, crianças têm sido obrigadas a se ajoelharem, e constrangidas nessa posição, a rezarem e a amaldiçoarem um Judas, que na realidade não traiu ninguém, mas que é útil à igreja católica para perseguir quem procura a Liberdade, fugindo da obrigação imposta de se colocar de joelhos, se esquivando de uma posição humilhante que o louco de Nazaré queria obrigar a todos os Seres Humanos sem distinção.

Conclusão:

Qual é o terror que vem a ser divulgado por meio do episódio de Judas? 

É o terror dos maiores atentados às instituições europeias que tem sido organizados, atentados que têm como base os Sistemas Sociais Fascistas e Nazistas! A fidelidade não é dirigida aos princípios, às idéias, aos Sistemas Sociais, ao processo de construção da evolução da raça Humana em direção ao infinito das transformações, mas a fidelidade é imposta ao indivíduo em particular. Deve-se ser FIEL AO TODO PODEROSO SENHOR! Ao invés de uma fidelidade ao Estado, desde que este se mostre uma manifestação de instituições fiéis aos indivíduos, como Seres Humanos, passa-se a ser fiel a um só indivíduo que se torna dono dessas instituições! Eis o Jesus de Nazaré que se proclama o filho do deus todo-poderoso e todo-poderoso ele mesmo, e nessa proclamação exige submissão e fidelidade! A mesma fidelidade de um "cão" que se mostra servil diante do seu dono, pronto a morrer por ele, mas privado da sua vontade própria e das suas determinações próprias! Para ser fiel como um "cão" é necessário ser pobre culturalmente, ser miserável e construir ligações de dependência (como o uso da heroína!). Diverso é a fidelidade às leis, aos ideais, a um Estado que seja expressão dos homens que vivem esse Estado. Mas neste caso é necessário ser livre, forte e sapiente. Neste caso, a força própria de cada um, o conhecimento de cada um, a sabedoria própria de cada pessoa, tornam-se enriquecimentos para os ideais visados por nós, enriquecimentos do próprio Estado que é a nossa própria expressão como Seres Humanos, e do Sistema Social do qual fazemos parte.

O episódio de Judas serve para: tornar os Seres Humanos servis a um dono, aos invés de cada um ser parte integrante de um todo que se torna cada vez mais forte, e se enriquece, construindo, cada um, o seu lugar no infinito!

Marghera, agosto 1997

caricato in rete il 21 ottobre 2001

(controllo e formattazione, 13 dicembre 2014)

Claudio Simeoni

Meccanico

Apprendista Stregone

Guardiano dell'Anticristo

Membro fondatore
della Federazione Pagana

Piaz.le Parmesan, 8

30175 Marghera - Venezia

Tel. 3277862784

e-mail: claudiosimeoni@libero.it

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