A dificuldade que o homem educado no cristianismo encontra para analisar a proposta religiosa da Teogonia de Hesíodo

A Religião Pagã fala da realidade dos Deuses
Teogonia de Hesíodo

Claudio Simeoni
traduzido por Dante Lioi Filho

Il libro

 

A dificuldade dos cristãos (e de Platão) para lerem Hesíodo
A Religião Pagã e a Teogonia de Hesíodo

Na leitura da imagens da Teogonia são encontrados vários problemas. O primeiro e o mais importante é a não existência do tempo (do original em italiano l'atemporalità) das ações dos DEUSES. Os DEUSES agem fora de um tempo definido. Apesar de as suas ações, para gerar, darem a impressão de uma sequência temporal, na realidade, também estas ações estão fora do tempo. Quando GAIA gera CRONOS? É um contínuo gerar CRONOS através da atividade de GAIA. GAIA gera continuamente CRONOS e continuamente GAIA doa a CRONOS a foice com a qual poder impor-se a si mesmo. CRONOS é um sujeito em si mesmo, mas o corpo de CRONOS é o corpo de cada sujeito no universo, que muda e se transforma. CRONOS, como tempo, como mudança, é sujeito que muda, em cada sujeito, de modo que na mudança transforma a si mesmo. Quando nasce o Titã Cronos? No mesmo momento em que o universo teve como início a mutação, a transformação, o tempo vivido pelos sujeitos que se transformam. Cronos renasce em cada sujeito, que ao nascer começa a mudar, e também incita os sujeitos a usarem a vontade própria, ou seja a foice de Gaia, deles, para se expandirem no mundo, Quando nasce AFRODITE? Em cada instante AFRODITE surge das águas por meio de cada Ser individual, do universo, que anseia. Esse Ser manifesta AFRODITE, que é manifestada pelo seu corpo, nutrindo-o, e ao nutrir AFRODITE se nutre, da emoção surgida extrai nutrição. Quando PROMETEU rouba dos DEUSES o fogo do conhecimento para doá-lo aos Seres Humanos? Ontem, hoje? Em cada momento um Prometeu rouba o fogo do Conhecimento para dele se apropriar e fazer dos Seres Humanos participantes das próprias descobertas.

Cada homem pode individuar um número limitado de divindades, por um número limitado de ações, nas quais pode entrevê-las empenhadas a se construírem elas mesmas. Os Deuses os avistamos impulsionados pelos nossos interesses e pelos nossos intentos, mas aquelas ações, com frequência, constituem a razão de ser da divindade; o como se exprime o corpo da divindade.O Ser Terra posso vivê-la em relação à minha vida. Não sou capaz de viver o Ser Terra em relação a ela mesma e por todas as determinações que ela exprime. Pelo fato de eu, um homem em sua generalidade, conceber o Ser Terra no que se refere à minha vida, faz de mim um DEUS que reconhece um outro DEUS e que é participante de uma relação divina; DEUS ela mesma (a própria relação): o Ser Terra como Ser consciente e inteligente, é objetividade, no qual o Ser Natureza com todos os indivíduos de todas as espécies, se desenvolve. O Ser Humano identifica a Terra como "mãe" porque da sua persistência os Seres da Natureza se geram. Ao consentir o gerar-se, no Ser "mãe", isto é por parte do Ser Terra, constitui manifestação contínua de um modo de ser do Ser Terra, em relação ao Ser Natureza. Hera, o Ser Natureza, manifesta continuamente a si mesma, nesta relação com Rea, o Ser Terra, mãe de Hera, e desse relacionamento caminham juntas, modificando-se, no infinito das mutações.

Assim, o cristão que vive no afastamento da sua sexualidade, acredita ser inconcebível o relacionamento físico amoroso entre os Deuses.

Esse é o motivo pelo qual a análise da Teogonia não pode respeitar a uma sequência temporal, mas exprime imagens fora do tempo, sempre presentes e sempre operando. Imagens que o poeta lê como acontecimentos épicos e que o Aprendiz a Stregone visualiza como sendo os processos de adaptação da vida, da objetividade inteira, dentro da qual a Consciência se forma, se desenvolve e se transforma. O construir-se e o perecer das oportunidades, através das quais a matéria composta de Energia Vital, que recebe o nome de Gaia, reconstrói a sua própria consciência, construindo as melhores condições possíveis, afim de que a construção da consciência se perpetue, levando, pois, a matéria, do estado de inconsciência ao estado de consciência. Essa construção das condições melhores para que haja continuidade no processo de desenvolvimento na construção da consciência, é obtida através do uso da vontade das Autoconsciências surgidas de Gaia. Os desafios que elas impõe à vida; as necessidades de adaptação que efetuam; constroem as melhores condições para que outros Seres possam germinar transformando matéria inconsciente em matéria consciente. A construção de melhores condições para que os DEUSES possam nascer sucede por meio do uso da vontade dos DEUSES existentes e pelas transformações que executam.

Existe sempre um caldo primordial (original em italiano: brodo primordiale). Um caldo primordial que ferve de forças e de tensões, como manifestações de todos os DEUSES TITÃS que o compõem. Nesse caldo tomam forma os trajetos para as formações das Autoconsciências, qualquer que seja a natureza de cada uma delas, que iniciam um percurso em direção ao absoluto delas; o seu TERMINIUS! Foi um caldo primordial quando GAIA e URANO ESTRELADO colocaram as bases para que as estrelas adquirissem Autoconsciências e iniciassem o seu caminho no infinito das mutações; é um caldo primordial a grande HERA na qual os Seres da Natureza se chocam para poderem construir o caminho deles no infinito das mutações; o seu TERMINIUS! Um caldo primordial de TITÃS do qual as Autoconsciências se erguem para se tornarem TITÃS elas mesmas!

Mesmo se iniciei um trabalho sobre a Teogonia pensando-a como sendo um trajeto linear que ia do EREBO negro ao triunfo de ZEUS, na realidade não é assim! O EREBO negro e o amplo TÁRTARO persistem, enquanto TIFÃO enfrenta ZEUS para destroná-lo, e simultaneamente PROMETEU engana ZEUS sobre a qualidade do holocausto no sacrifício, exatamente quando AFRODITE surge das águas e REA oferece a CRONOS uma pedra enquanto EROS se manifesta.

Tudo acontece a um só tempo. Os DEUSES estão todos presentes: cada um terá dons e linhagens. ZEUS abre as portas do Olimpo a todos para que nenhum seja excluído. O Olimpo nos rodeia e com ele os DEUSES. A obra deles se manifesta em um presente infinito no qual manifestamos a nossa ação. Existe um tempo em que Tifão abaterá ZEUS, mas não é neste momento. Não neste presente. Este presente manifesta os DEUSES no qual TIFÃO é dominado sob o vulcão. Este presente manifesta AFRODITE que surge das águas. Este presente manifesta os filhos de CRONOS. Este presente manifesta esses trajetos de formação da Autoconsciência e da COGNIÇÃO destes DEUSES.

Analogamente, se eu me esforçasse para dar uma sequência à interpretação da Teogonia, na realidade isso não seria possível porque o tempo nas visões, como medida das transformações, como nós o concebemos objetivamente, não existe (ainda que existem as transformações).

Breve nota - de 03.04.2000 - início da revisão 18 de setembro de 2014

Lembrete: A tradução da Teogonia é extraída de Hesíodo "Teogonia" trad. Graziano Arrighetti edição BUR

Marghera, 21 de setembro de 2014

(Trecho extraído da Obra de Claudio Simeoni *A Estirpe dos Titãs*, um trabalho iniciado em 27.12.1999)

A tradução foi publicada 26 de maio 2015

Aqui você pode encontrar a versão original em italiano

Home page Teogonia

    

Home Page Deuses

Claudio Simeoni

Mecânico

Aprendiz Stregone

Guardião do Anticristo

Membro fundador da Federação Pagã

Piaz.le Parmesan, 8

30175 - Marghera - Venezia - Italy

Tel. 3277862784

e-mail: claudiosimeoni@libero.it

--

A análise da Teogonia de Hesíodo

A Religião Pagã forjou uma visão própria do mundo, da vida e do vir a ser das consciências desde as origens do tempo. Tais ideias coincidem no tempo presente com as ideias das religiões e dos primeiros cultos antes da chegada da filosofia, e foram hostilizadas militarmente pelo ódio cristão contra a vida. Analisar Hesíodo nos permite clarificar o ponto de vista da Religião Pagã.